segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Uma coisa pra se pensar ...

Imaginemos agora uma "Conferência Internacional para escolha de termos mundialmente compartilhados". Sem dúvida, "Merda" seria uma das opções.
Há três justificativas plausíveis pra defender essa causa:

1) Merda é multiuso. Em pelo menos 70% dos lugares e ocasiões que você vive, o "merda" pode ser utilizado. Pensemos num dia comum:
Acordou de manhã e se queimou com o café: "merda". Perdeu o ônibus por 20 segundos de atraso: "merda". Achou uma carona de imediato: "mentira". Levou falta porque o professor é cri cri: "merda". Não recebe ligação porque seus bônus expiraram: "merda". Pegou uma fila imensa na cantina pra comprar duas balas:"merda". Desistiu das balas e comprou uma torta porque estava na promoção: "mentira". O ingresso da festa aumentou: "merda". Mas mesmo assim você comprou: "mentira". E pra esquecer a festa é só colocar um filme entediante que você pega logo no sono: "mas que merda".
Os 70% foram comprovados, de 10 situações, 7 são de merdas, as outras são de mentira.

2) Merda pratica a inclusão. É isso aí, independente da classe econômica, da cor, da altura, do branco dos olhos, da barriga fora de moda, dos cabelos encaracolados, da chapinha do dia-a-dia, todo o mundo, literalmente ou não (pendendo mais para os dois modos), todo mundo faz merda. Se todo mundo faz, não há exclusão no mundo da merda. O direito de fazer merda é dado e ninguém o dispensa, fato.

3) Merda é o termo mais politicamente correto para expressar raiva, desapontamentos, situações desagradáveis e afins (vulgo palavrão). Quem você vai agredir usando o termo "merda"? Ninguém. Nenhuma mãe e nenhuma profissão desfavorecida. Não tem nada de vulgar em se falar merda. Nada de imoral.

Sem falar é claro do lado bonitinho da coisa, que mãe nunca olhou pro seu filho depois que ele fez uma coisa engraçadinha e disse com aquele sorriso bobo na cara: "mas é uma merdinha mesmo". Tudo bem que "merdinha" ainda não é uma merda formada, mas um dia irá ser.

Assim sendo, numa "Conferência Internacional para escolha de termos mundialmente compartilhados", o mundo não pode abaixar a cabeça e aceitar também a merda como um "charme brasileiro". O mundo inteiro deve ter o direito de usar a "merda". Quiçá, a "merda" pode até virar um patrimônio da humanidade.

Long live the shit! (para não desfavorecer a língua do país das merdas).

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