Imaginemos agora uma "Conferência Internacional para escolha de termos mundialmente compartilhados". Sem dúvida, "Merda" seria uma das opções.
Há três justificativas plausíveis pra defender essa causa:
1) Merda é multiuso. Em pelo menos 70% dos lugares e ocasiões que você vive, o "merda" pode ser utilizado. Pensemos num dia comum:
Acordou de manhã e se queimou com o café: "merda". Perdeu o ônibus por 20 segundos de atraso: "merda". Achou uma carona de imediato: "mentira". Levou falta porque o professor é cri cri: "merda". Não recebe ligação porque seus bônus expiraram: "merda". Pegou uma fila imensa na cantina pra comprar duas balas:"merda". Desistiu das balas e comprou uma torta porque estava na promoção: "mentira". O ingresso da festa aumentou: "merda". Mas mesmo assim você comprou: "mentira". E pra esquecer a festa é só colocar um filme entediante que você pega logo no sono: "mas que merda".
Os 70% foram comprovados, de 10 situações, 7 são de merdas, as outras são de mentira.
2) Merda pratica a inclusão. É isso aí, independente da classe econômica, da cor, da altura, do branco dos olhos, da barriga fora de moda, dos cabelos encaracolados, da chapinha do dia-a-dia, todo o mundo, literalmente ou não (pendendo mais para os dois modos), todo mundo faz merda. Se todo mundo faz, não há exclusão no mundo da merda. O direito de fazer merda é dado e ninguém o dispensa, fato.
3) Merda é o termo mais politicamente correto para expressar raiva, desapontamentos, situações desagradáveis e afins (vulgo palavrão). Quem você vai agredir usando o termo "merda"? Ninguém. Nenhuma mãe e nenhuma profissão desfavorecida. Não tem nada de vulgar em se falar merda. Nada de imoral.
Sem falar é claro do lado bonitinho da coisa, que mãe nunca olhou pro seu filho depois que ele fez uma coisa engraçadinha e disse com aquele sorriso bobo na cara: "mas é uma merdinha mesmo". Tudo bem que "merdinha" ainda não é uma merda formada, mas um dia irá ser.
Assim sendo, numa "Conferência Internacional para escolha de termos mundialmente compartilhados", o mundo não pode abaixar a cabeça e aceitar também a merda como um "charme brasileiro". O mundo inteiro deve ter o direito de usar a "merda". Quiçá, a "merda" pode até virar um patrimônio da humanidade.
Long live the shit! (para não desfavorecer a língua do país das merdas).
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